• Vinicius Uhlmann

Como transportar congelado e resfriado no mesmo caminhão

O desafio da logística é proporcionar uma entrega de qualidade e rápida pelo menor custo. No segmento frigorífico não é diferente. Como o mix de produtos é cada vez mais variado, exigindo condições técnicas e principalmente temperaturas diferentes, integrar operações com esses dois tipos de carga é um desafio a se vencer.

Uma solução é transportar congelados e resfriados no mesmo caminhão, algo que pode trazer uma série de vantagens, como a unificação da entrega dos produtos e a melhora na composição das rotas de entrega, com uma redução interessante dos custos.

Apesar de serem ambas cargas frias, há diferença significativa na temperatura das resfriadas e congeladas que devem ser observadas. Mas é possível carregar o mesmo baú frigorífico com esses dois tipos de cargas, otimizando o frete. 


Neste artigo, vamos mostrar como se dá esse processo, garantindo um transporte frigorífico seguro e eficaz.


Congelado x Resfriado


Para compreender como fazer o correto carregamento de congelados e resfriados, cabe primeiramente fazer a diferenciação das duas formas de conservação. Mas não é tão simples assim definir, uma vez que cada produto tem sua especificação técnica em relação a temperatura.


De uma forma geral, a carga resfriada é aquela com tempo de conservação menor, sendo transportada em temperaturas que mantêm as características naturais do produto. É o caso de laticínios, frutas e medicamentos. Já a carga congelada é um método de conservação de longo prazo, sendo transportado com temperaturas bem baixas.


Essas temperaturas podem variar de acordo com o tipo de produto e suas necessidades. É importante saber a maneira certa de transportar cada produto, pois isso vai influenciar na sua acomodação no baú frigorífico de um mesmo caminhão.


Os perecíveis que precisam de refrigeração para o transporte geralmente são alimentos e medicamentos, e todo o processo é regulado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Para este fim, são feitas várias recomendações relativas à embalagem, higiene, documentação e, claro, às características do baú frigorífico.


O calor e a integridade das cargas


Para entender as possibilidades de movimentação de congelados e resfriados, antes é preciso compreender como o calor é controlado dentro do baú e quais as estratégias possíveis para que as cargas permaneçam íntegras durante o transporte.


Primeiramente, vamos lembrar que não se produz frio, e sim se controla a transferência de calor. Podemos dizer, de forma simplificada, que o calor é uma energia que se desloca em meios físicos. Quanto menor for a quantidade de energia térmica em um corpo, “mais frio” ele fica. Em um baú frigorífico, o sistema de refrigeração é responsável por retirar uma parte do calor interno para manter a temperatura sempre baixa.


Outro ponto é que o calor é compartilhado na direção da região de menor temperatura. É uma troca em que o corpo mais quente cede calor ao corpo mais frio. Em uma situação de transporte, por exemplo, uma carga congelada recebe o calor do ambiente e, se for o caso, de cargas resfriadas que porventura estejam no mesmo baú frigorífico. Ou seja, há uma troca de calor dentro do baú, onde deveria haver uma estabilidade na temperatura.


Por isso é particularmente problemático misturar cargas congeladas e resfriadas no mesmo caminhão, ou mesmo cargas congeladas com temperaturas muito diferentes. Com essa transferência de calor, invariavelmente o que é congelado vai descongelar e o que é resfriado vai ter suas características alteradas, uma vez que perderá calor para a carga mais fria. Ou seja, em um mesmo ambiente essas duas cargas vão ter suas integridades corrompidas.


Mas há soluções. Sim, é possível transportar cargas resfriadas e congeladas no mesmo baú frigorífico. Siga a leitura e compreenda.


Resfriado e congelado no mesmo caminhão


A esta altura, já deve ter ficado claro que a transferência de calor é a questão chave para o transporte eficaz de cargas congeladas e resfriadas. Em um mesmo baú frigorífico, é necessário que haja uma separação de ambientes para manter a temperatura estável exigida para cada tipo de carga. Existem algumas formas de se fazer isso.


Divisória fixa de fibra – instalação de uma divisória feita com o mesmo material do painel das laterais do baú, um sanduíche de fibra de vidro, poliuretano e fibra de vidro, criando dois ambientes completamente separados. É a melhor solução quanto à separação dos ambientes, porém deixa a operação mais engessada, já que não dá a possibilidade de aumentar um pouco o espaço de congelado ou de resfriado, uma vez que a divisória não se desloca.


Divisória móvel de fibra – é praticamente a mesma peça do exemplo acima, mas que corre em um trilho e possibilita uma variação na proporção entre os dois ambientes. Por ter vãos para deslocamento em relação às paredes do baú, não produz um isolamento térmico tão eficiente, pois o calor passa pelas frestas. 


Divisórias de lona – são mais leves e econômicas, porém menos duráveis e com isolamento térmico inferior às divisórias de fibra. Necessitam de trilho logístico e travas para serem mantidas de pé.

Para finalizar, um alerta. Não se deve misturar carga seca com carga resfriada e congelada no mesmo ambiente. A carga seca é aquela que não necessita de controle de temperatura para o transporte. Mesmo que estejam em um ambiente mais frio, as cargas secam se transformam em fontes de calor, que desestabilizam a temperatura das cargas resfriadas e congeladas. As boas práticas do transporte frigorífico mandam sempre separar esses tipos de cargas. 


Ambientes divididos


Divididas as cargas com temperatura muito diferentes, é hora de pensar na refrigeração. Relembrando o que vimos aqui o papel de um equipamento de refrigeração é retirar o calor que entra no baú a cada abertura de portas, bem como o calor residual que ainda passa pelo isolamento do baú. Normalmente o equipamento de refrigeração possui apenas uma temperatura de trabalho, então como fazer quando há dois ambientes com temperaturas diferentes? Eis as duas soluções mais usuais:


Equipamento de refrigeração com dois evaporadores – É o ideal nessas modalidades mistas e um sistema muito utilizado em países com cadeia de frio mais desenvolvida. Evaporador é a parte do equipamento que fica dentro do baú e promove a troca do calor do ar do salão (o ar de dentro do baú). O ar passa por ele através dos ventiladores e "deixa" o calor na serpentina. Com dois evaporadores, é possível definir no painel de controle duas temperaturas diferentes. Essa solução permite um maior controle das temperaturas e maior confiabilidade.

Ventiladores nas divisórias – é a opção mais frequente no mercado nacional, com a utilização de ventiladores nas divisórias feitas no baú frigorífico. O evaporador é instalado no primeiro ambiente (normalmente o congelado) e um ventilador empurra o ar frio desse ambiente para o segundo (o resfriado). Esse ventilador possui um sensor que o desliga quando a temperatura atinge o ponto desejado no segundo ambiente. Importante observar que essa solução apesar de ser muito mais econômica é pouco precisa, uma vez que, após a parada do ventilador, o frio do primeiro ambiente acaba passando pelo ventilador parado e pelas frestas nas laterais da divisória para o segundo ambiente. Da mesma forma, quando há muitas aberturas da porta do baú frigorífico, o ventilador da divisória não consegue equilibrar a temperatura do ar em relação à temperatura da carga na mesma velocidade que um evaporador faz.


Agora temos o baú dividido para criar ambientes com temperaturas diferentes e uma solução de refrigeração para cada um. E agora? Precisamos pensar na forma mais rápida e prática de carregar e descarregar esses produtos, já que criamos barreiras entre os ambientes. Basicamente temos três opções de acesso e trânsito entre os ambientes do baú frigorífico:


Porta lateral – ter acesso por fora do baú a cada ambiente é uma ótima solução para entregas pulverizadas;

Porta na divisória – com uma porta na própria divisória, é possível transitar de um ambiente a outro para "consolidar" a entrega e então retirar pela porta traseira. Se as entregas normalmente acontecem em docas, essa é uma boa opção;

Divisórias rebatíveis no teto – levanta-se a divisória inteira em direção ao teto do baú para deixar o trânsito livre no seu interior. São muito úteis no carregamento em docas e quando a entrega é mais concentrada em um cliente só com docas.


Neste artigo, exploramos a versatilidade do transporte de cargas congeladas e resfriadas no mesmo baú, algo que pode ser valioso para diversas indústrias e viabilizar operações logísticas. Para que tudo funcione a contento, é necessária muita disposição para analisar as situações e formular os melhores métodos para o transporte de cargas resfriadas e congeladas.  


A logística é uma área de criação de soluções. A eficiência do transporte de produtos frigoríficos se dá quando montamos a melhor solução para a indústria transportar suas cargas com a segurança, a integridade e a agilidade que o mercado exige.

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